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 Nova Rainha de Westeros

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Data de inscrição : 26/05/2016

MensagemAssunto: Nova Rainha de Westeros   11.07.16 2:24

Vaella

Vaella compreendia que não havia qualquer coisa que pudesse fazer por meistre Tackard. Considerando a gravidade do que o velho homem lhe revelara, ela sabia do que Valerion seria capaz de fazer para acobertar os fatos e se manter no poder. Se ela se posicionasse a favor de Tackard, com certeza receberia algum tipo de punição. Será que seu próprio filho seria capaz de matá-la? O primeiro filho homem que criara com todo o afeto que havia em seu coração? O pesadelo ficava cada vez pior à medida que pensava mais sobre aquilo.

A matriarca Targaryen aguardava Gaemon em frente ao fosso dos dragões, sob os olhares curiosos dos dois soldados que guardavam a gigantesca porta dupla de ferro. O vento noturno soprava forte na colina de Rhaenys e o dragão Vhagar entoava um som melancólico, como se aguardasse ansiosamente para ser liberto pela domadora do lado de fora.

Era típico de Gaemon se atrasar para qualquer compromisso, mas Vaella havia lhe alertado para a urgência daquele encontro. Não podia acreditar que nem mesmo circunstâncias graves fossem capazes de fazer o filho mais novo cumprir com o horário. Não havia sinal do rapaz nas longas escadarias.

Um baque surdo vindo de trás de Vaella cortou o silêncio noturno. Assustada, virou-se de uma vez para trás e viu que Gaemon levanta-se do chão apoiado em um dos joelhos.


- De onde você surgiu? – Vaella perguntou, se aproximando do filho.

- Você me pediu para ser discreto. Então eu escalei a colina por trás. – Gaemon olhou para as próprias mãos e as virou de um lado para outro, revelando pequenos ferimentos sangrentos nas palmas e nas unhas. – Não se preocupe com isso. – acalmou a mãe, quando esta olhou assustada para as feridas.

- Acho melhor conversarmos lá dentro. Você sabe. – a mulher acenou com a cabeça para os dois soldados.

Gaemon assentiu e ambos caminharam rapidamente até a porta.
- Abram. – ordenou Gaemon. Um dos soldados abriu a boca para contestar a ordem, mas o príncipe retirou uma adaga de aço valiriano da bainha presa à sua calça e encostou a ponta da lâmina no pescoço do homem. – Não pense, nem por um segundo, que precisamos de sua autorização para entrar. Estamos apenas sendo amigáveis. Abram a porcaria da porta se não quiserem se encontrar com a Grande Mãe hoje mesmo. Estamos entendidos?

Os soldados se entreolharam receosos e, ao mesmo tempo, puxaram as duas grandes folhas de ferro para fora, permitindo que uma lufada de ar quente se misturasse ao ar fresco.

Vhagar batia as asas desajeitadamente para se manter no ar, mas a corrente presa ao seu pescoço limitava os movimentos. Quando a criatura avistou Vaella na porta de entrada, soltou um guincho tão estridente, que até mesmo sua domadora se viu obrigada a tampar os ouvidos com os dedos. Em seguida, o dragão cessou o bater das asas e pousou no chão com um estrondo. Vaella caminhou cautelosamente, com uma das mãos estendidas na direção do animal, enquanto Gaemon seguiu a mãe como uma sombra. Todos em Porto Real sabiam que o rapaz não se sentia tão seguro próximo aos dragões, apesar de admirá-los à distância.

Ao se aproximar de Vhagar, Vaella manteve a mão estendida e aguardou a criatura sentir o seu cheiro e abaixar a enorme cabeça em consentimento. Apesar de o dragão nunca tê-la atacado, ela sabia que o vínculo com esses animais mágicos exigia respeito e paciência. Embora o termo domador fosse utilizado, Vaella sabia que não era essa a relação que tinha com Vhagar, mas sim um sentimento mais próximo de companheirismo e lealdade.


- Muito bem, meu amigo. Quero lhe pedir uma coisa. Será que pode carregar um passageiro extra dessa vez? – Vaella falou suavemente, passando a mão pelas escamas azuis entre as orelhas do dragão. Em resposta, a criatura pousou os olhos em Gaemon e pareceu avalia-lo por um tempo.

- Estenda sua mão e aguarde que ele abaixe a cabeça. Do mesmo jeito que eu fiz. – Vaella sussurrou para o filho.

Gaemon obedeceu, incapaz de controlar o tremor involuntário em seu braço. Vhagar encostou o grande focinho nos dedos do rapaz e fungou. O jato de ar quente veio misturado com secreções esbranquiçadas, mas o príncipe Targaryen manteve-se imóvel. Qualquer movimento inesperado poderia ser o suficiente para que virasse a próxima refeição. O animal emitiu um som grave e baixo e Gaemon sentiu os pelos de sua nuca arrepiarem. Então, finalmente abaixou a cabeça.


- Obrigado, campeão. – Vaella deu algumas batidas carinhosas no pescoço de Vhagar.

- Agora que não serei expulso do meio de transporte, pode me dizer para onde pretende nos levar? O que está acontecendo, mãe? – Gaemon sentia uma perturbação anormal na mãe. Os olhos dela estavam constantemente lubrificados pelo berço de lágrimas nas pálpebras inferiores.

- Maegelle nos enviou uma mensagem de Pedra do Dragão. – a mãe respondeu, enquanto puxava um dos pinos que prendiam a argola de ferro ao pescoço de Vhagar.

- Sim. Avisando-nos de que havia chegado em segurança.

- Outra, além dessa. Meistre Tackard sussurrou-me o conteúdo da segunda mensagem no momento em que Valerion entrava com seu tio na coroação. Os passarinhos de Benedict Velaryon ouviram uma conversa entre seu irmão e Viserys na noite da morte de seu pai. Ao que tudo indica, foram os dois que orquestraram o assassinato, pois talvez fosse a única chance que Valerion poderia ter para se sentar no trono de ferro. – Vaella tirou o segundo pino da coleira do dragão, libertando-o de sua prisão. Apesar disso, Vhagar continuou parado, à espera de sua companheira.

Gaemon coçou a cabeça e olhou para a porta, desconfiado.
- E o que você acha disso? Para falar a verdade, nunca gostei de Velaryon. O homem sempre pareceu interessado demais em Maegelle. Interessado não. Obcecado. Não ficaria surpreso se estivesse tentando fragiliza-la para conseguir o que tanto quer.

- Eu compreendo o que está dizendo e também ficaria em dúvida, não fosse por mais uma coisa que Tackard me contou. – Vaella aproximou-se do filho e tocou-lhe o peito. – O ferimento que atravessou as costas de seu pai foi feito por aço valiriano. Os meistres concluíram, pelo formato do corte e pelo estado da musculatura, que o golpe foi desferido pela Irmã Negra.

- Qual deles o matou? – Gaemon questionou, pensativo.

- E o que isso importa? – Vaella se agarrava aos chifres do animal e tomava impulso para subir.

- O assassino deve morrer primeiro. O cúmplice em seguida.

- Viserys. – mesmo que não fosse a verdade, Vaella o diria mesmo assim. Valerion fora responsável direto pela morte de Jaehaerys, mas ainda assim era seu filho. Seu coração se partiria em pedaços se testemunhasse dois de seus filhos lutando até a morte.

- Viserys, então. – Gaemon deu a mão a Vaella, que o ajudou a subir em Vhagar.

A mulher bateu levemente com os calcanhares nas costas do dragão, o que o fez levantar e correr em direção a saída do fosso. Uma vez fora da construção, Vhagar correu para uma das bordas da colina e pulou. As grandes asas começaram a bater com força, levando o imenso animal e os passageiros para a escuridão do céu.


Pelos deuses! Quanto tempo faz que montei Vhagar pela última vez? Vaella se indagou, sentindo o vento chocar-se com seu rosto e sacudir seus longos cabelos para trás. Deixou toda a situação envolvendo a morte de seu amado marido para trás e cedeu ao luto. As lágrimas que caíam de seus olhos eram levadas para longe e a mão invisível que apertava seu coração se fechava com ainda mais força. Nunca mais se encontraria com Jaehaerys. Nunca mais se deitaria na cama de seu marido e seria confortada por seu corpo quente e pelo abraço aconchegante. Seu companheiro se fora em um piscar de olhos e tudo que ela vivera até então parecia ter sido parte de um longo sonho interrompido.

Por que Viserys? Por que Valerion?

Já deixavam a Baía de Água Negra, quando uma enorme sombra se projetou acima de Vhagar. Vaella acompanhou o movimento da sombra nas águas escuras do Mar Estreito e estremeceu ao perceber sua forma. Balerion, ela pensou, olhando para cima e avistando a gigantesca criatura rodopiar no ar noturno e mergulhar para baixo.


- Vhagar, mais rápido, amigo. – ela deu algumas palmadas no pescoço dragão, que manteve a mesma velocidade. Aparentemente, Vhagar não se dava conta da ameaça que pairava acima de sua cabeça. Gaemon levou as mãos à frente do rosto, como se para se proteger do ataque que nunca veio. Ao invés de investir contra Vhagar, Balerion simplesmente manteve voo ao lado do velho companheiro de viagens. Vaella pensou na convivência antiga que os dois dragões compartilhavam.

Ele está nos escoltando, pensou, sendo invadida por uma sensação de privilégio. Afinal, quantas pessoas haviam sido escoltadas pelo maior dragão vivo do mundo? Chegaram com segurança à Pedra do Dragão no meio da madrugada. Maegelle os aguardava pacientemente no grande salão de entrada e sorriu quando a porta se abriu.


- Como é bom tê-los aqui comigo. – ela correu até a mãe, dando-lhe um abraço apertado e depois se deixou ser envolvida pelos braços de Gaemon, demorando-se em um beijo carinhoso.

- Não poderíamos ficar parados depois do que Velaryon lhe contou. O que pretende fazer, agora?

Gaemon passou as mãos pelos longos fios platinados do cabelo da esposa. Maegelle tomou uma mão do marido e uma da mãe, olhando de um para outro.

- Eu pretendo tomar o que é meu de direito. Valerion será retirado do trono de ferro, custe o que custar.

Vaella sentiu as energias deixarem seu corpo e uma intensa vertigem a atingiu intensamente. As pernas fraquejaram, mas antes que desabasse no chão, os filhos a seguraram pelos braços e a fizeram se sentar em uma das cadeiras ao redor da grande mesa de pedra no centro do salão. Ela pousou a cabeça nas mãos e massageou as têmporas.

- Quando isso vai parar? Quando toda nossa família estiver destruída? - Pensou, mas não iniciaria uma discussão daquele tipo. Conhecia a obstinação de Maegelle e sabia que a mulher não pararia até que tudo saísse como planejado.

- E como pretende derrubar o rei? Viserys cresceu entre os homens de armaduras e espadas. Fala a língua dos soldados e sabe o que esses homens precisam. Sabe como compra-los. O serviço se torna ainda mais fácil quando são comprados a favor do governante dos Sete Reinos. E você? O que tem a oferecer? – Vaella questionou.

- Tenho a verdade. E apoio da metade dos principais Lordes de Westeros. Ou se esqueceu de que houve um empate em nossa votação?

- As circunstâncias eram diferentes. Os Lordes votaram nas opções que lhes foram dadas. Valerion ganhou por meio do julgamento de combate, pois assim quiseram os deuses. Realmente acha que os Lordes trairão seu novo rei? Trairão a decisão dos deuses?

- Os deuses protegeram um regicida? Desconfio que os Antigos e os Sete tenham ocupações mais importantes do que vigiar cada movimento nosso. Será que de fato se importam com quem senta em um trono feito de espadas? – Maegelle já demonstrava sinal de irritação.

- Não é assim que os demais pensam, Maegelle. Pretende se rebelar contra seu irmão sem ao menos ter um plano concreto. Onde estão as outras alternativas, caso não consiga convencer os Lordes a apoiarem sua causa?

- Bem, sempre temos os dragões. Aegon precisou de apenas três para conquistar o continente. Temos oito dragões e adivinhem só? Nenhum simpatiza com nosso amável Valerion. - Gaemon estremeceu ao pensar nas cidades sendo engolfadas pelas chamas mortais das grandes criaturas. Vaella permaneceu em silêncio. Não havia como dissuadir a filha daquela ideia.

- Amanhã, pela parte da manhã, nos reuniremos com os comandantes do exército de Pedra do Dragão para traçar um plano. Ouviremos o que os homens têm a dizer e quais as suas reivindicações para aderirem à nossa rebelião. Todo homem tem seu preço e eu estou disposto a pagá-lo.

- Então, que os deuses nos ajudem. – sentindo-se quase totalmente recuperada, Vaella levantou-se da cadeira. – Estou exausta. Será que pode me levar ao quarto que preparou para mim?

- Não seja tola, mamãe. Seu quarto ainda é o mesmo. E sempre será. Pedi que os criados trocassem os lençóis e acendessem a lareira. Ao que tudo indica, uma tempestade se aproxima.

- Com sua licença. – Vaella fez uma reverência e desapareceu nas escadarias que levavam ao seu aposento.

Ao chegar no amplo quarto que dividira tantas veze com Jaehaerys ao longo dos anos, permitiu que seu corpo desabasse sobre o imenso colchão de penas de ganso. Nem ao menos se deu ao trabalho de retirar as roupas.


Que comecem os jogos - pensou, antes de ser engolfada pela escuridão reconfortante do sono.

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