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 Nova Rainha de Westeros II

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Data de inscrição : 26/05/2016

MensagemAssunto: Nova Rainha de Westeros II   19.07.16 2:46

Maegelle

A grande sala de reuniões estava carregada do ar úmido e gelado proveniente da repentina tempestade, que invadira Westeros pelo Leste. As grandes ondas arrebentavam nos rochedos com baques agudos, derramando-se sobre as pedras sob a forma de tapetes espumosos. Os dragões de pedra, esculpidos sobre as altas torres do castelo de Pedra do Dragão, recebiam as intensas descargas elétricas dos inúmeros
raios, que pipocavam sobre o Mar Estreito como um festival de fogos de artifício.

Maegelle observava, apreensiva, o espetáculo da natureza em frente à janela da sala de reuniões. Dentro de alguns minutos, os comandantes do exército de Pedra do Dragão se sentariam à grande mesa de pedra para dar início à reunião de urgência, convocada pela ex-rainha Vaella. Embora os homens da ilha reiterassem constantemente a lealdade e obediência à Viserys Targaryen, nunca negariam uma
ordem de Vaella. Era um fato incontestável que, junto a Jaehaerys, a mulher havia sido responsável por uma das melhores gestões dos Sete Reinos.

No entanto, os soldados não sentiam a mesma admiração pela princesa Maegelle. Talvez pelo fato de ela não partilhar do mesmo carisma de Vaella. Ou isso, ou os homens já haviam sido alertados sobre uma possível intenção de rebelião por parte da princesa. Sempre que colocavam os olhos na mulher, o faziam de modo nada amistoso, quase como se quisessem alertá-la para o fato de não ser bem-vinda ali.

Maegelle pensava exatamente em sua desvantagem em relação aos soldados do reino. Agora, era capaz de perceber o quanto sua arrogância lhe custara. Por anos, estivera tão certa de que seria a herdeira do trono de ferro, que nem ao menos se dera ao trabalho de conquistar a empatia dos homens responsáveis pela defesa do reino. Fora tola ao pensar que todos lhe seriam leais no momento certo. Já não tinha essa certeza.


- Acalme-se, Maegelle. – Gaemon estava sentado em uma das cadeiras, os pés se cruzando em cima da mesa. – Confie na mamãe.

- Eles nos quebraram, Gaemon. – ela se virou para o marido, com os olhos marejando. – Sabe-se lá por quanto tempo Valerion e Viserys planejaram isso. Mas eles nos deixaram sem nada. Os homens daqui não nutrem qualquer simpatia por mim. Por que acreditariam em minhas palavras? O reino todo tem conhecimento de minhas desavenças com Valerion. Acha que não vão se lembrar disso, quando lhes disser que pretendo destrona-lo?

- Só saberemos disso no momento em que lhes dissermos a verdade. Até lá, nenhuma conclusão pode ser tirada. Por que não se senta?

Maegelle não teve tempo de atender à sugestão do irmão. A porta da sala foi escancarada e Sor Astor Demeron, o comandante mais temido do exército de Pedra do Dragão, entrou com passos largos. Usava calções simples, botas de couro desgastadas e um gibão de couro por cima da camisa cor de creme. Sem esconder o descontentamento de estar ali, o homem fez uma reverência com má vontade.

- Princesa Maegelle, Principe Gaemon. Onde devo me sentar?

- Sente-se onde achar que deve se sentar, sor.

O comandante a encarou com desprezo e puxou uma cadeira do lado oposto a Gaemon.

- Os demais devem estar chegando a qualquer momento. Não contávamos com uma tempestade como essa. – o homem se sentou e colocou os braços sobre a mesa.

- Acredito que ninguém contava, Sor... Astor Demeron, não é? – Maegelle perguntou, ocupando a cadeira da ponta da mesa.

- Se passasse mais tempo em Pedra do Dragão e desse mais atenção aos homens que servem o reino, talvez não precisasse perguntar o meu nome, Princesa Maegelle. – o homem respondeu com rispidez, girando uma moeda de ouro sobre a mesa e acompanhando o movimento do objeto brilhante.

Gaemon deu um peteleco na moeda, arremessando-a para o chão. Ignorou completamente o olhar agressivo do comandante.


- Tenha mais respeito ao se dirigir à Princesa Maegelle, sor. Isso não é um pedido, mas sim um aviso.

Sor Astor Demeron bufou em resposta à reprimenda, levantou-se da cadeira e buscou a moeda no canto da sala. Quando voltou para a mesa, sentou-se e permaneceu em silêncio.

Talvez a situação seja ainda pior do que eu pensava - Maegelle pensou, enquanto se esforçava para manter um semblante inabalável.

Não levou mais do que cinco minutos para que o restante dos comandantes ocupasse as cadeiras em volta da mesa. Pelo menos Maegelle tivera o cuidado de se informar sobre quantos comandantes haviam em Pedra do Dragão, calculando a quantidade exata de assentos necessários. Apenas três cadeiras próximas a Maegelle permaneciam vazias, mas seus ocupantes ainda não haviam chegado.

Depois de todos os homens se sentarem, Vaella, meiste Jhocarys e Benedict Velaryon finalmente apareceram. No momento em que a ex-rainha pisou no recinto, os comandantes ergueram-se de suas cadeiras em sinal de respeito e só voltaram a se sentar quando a mulher fez o mesmo.

Maegelle apertou gentilmente a mão da mãe, como um gesto de agradecimento pelo apoio. Vaella sorriu para a filha e para Gaemon, antes de cumprimentar cada um dos comandantes com um aceno de cabeça.


- Pois bem, senhores. Convoquei essa reunião para que possamos discutir algo de extrema importância. – Maegelle começou, olhando para sor Benedict em busca de aprovação. O homem lhe sorriu gentilmente e Gaemon captou o olhar de admiração do mestre dos sussurros.

- Não gosto mais das palavras que vou dizer do que vocês, mas é necessário que sejam ditas mesmo assim. Fomos informados de uma traição ao reino, no que diz respeito ao assassinato de meu pai, Jaehaerys Targaryen. – ela esperou que as palavras causassem um impacto que nunca veio.

- Essa é uma informação óbvia, Princesa Maegelle. Qualquer pessoa que tenha assassinado o rei cometeu traição à coroa. – sor Coen Bragford falou, com as palmas das mãos viradas para cima para enfatizar sua opinião.

Vaella dirigiu um olhar severo ao homem, que murchou na cadeira logo em seguida. Maegelle continuou.


- O que eu quis dizer, antes da colocação enriquecedora de sor Bragford, é que tivemos o conhecimento dos dois homens que conspiraram contra o rei Jaehaerys. Um dos passarinhos de sor Benedict Velaryon trouxe a informação a ele, que a trouxe a mim imediatamente.

- É claro que trouxe. – sor Gavin Fenerok caçoou, arrancando risos de todos os outros homens.

Maegelle levantou-se da cadeira subitamente, batendo os dois punhos fechados sobre a mesa. O golpe produziu um estrondo e alguns dos homens a olharam assustados, enquanto os outros permaneceram indiferentes.

- Isso lhes parece algum tipo de brincadeira? Julgam que os chamei aqui para fazer troça?

Vaella olhou para sor Gavin Fenerok e acenou com a cabeça para Maegelle. O homem entendeu o recado e virou-se para princesa.

- Perdoe-me, Princesa Maegelle. A senhora dizia...

- O nome dos conspiradores: Valerion e Viserys Targaryen. – ela disse, mantendo-se de pé.

Um murmúrio coletivo tomou conta da sala. Os homens contestavam a informação indignados e voltavam-se uns para os outros, dizendo coisas como “essa mulher está louca”, “ela quer o trono para ela”, “talvez ela mesma tenha assassinado o pai”, e tantas outras coisas. Foi sor Astor Demeron quem acabou com a confusão.


- SILÊNCIO. – o homem berrou, fazendo com que as vozes diminuíssem de volume até desaparecerem por completo. Apesar de calados, os homens ainda carregavam expressões de indignação e revolta nos rostos. Sor Demeron continuou. – Deixe-me adivinhar, Princesa, pretende nos convocar para ajudá-la a destronar seu irmão e reivindicar o lugar que lhe é de direito. Acertei?

- Está certo quanto a minha intenção de destronar Valerion, sor Demeron. No entanto, engana-se quando ao motivo para isso. Pretendo fazê-lo para que o rei possa passar por julgamento, assim como todos os outros cidadãos do reino que cometem crimes. Enquanto meu irmão estiver sentado no trono de ferro, usará de inúmeras táticas para se blindar da justiça.

- E depois de destronar seu irmão, o que acontece ao trono de ferro? – Sor Jacen Holliston questionou, do outro lado da mesa.

- Eu serei Coroada, seguindo a vontade de meu falecido pai.

A confusão voltou a tomar conta da sala e, novamente, só terminou quando sor Astor Demeron voltou a falar.

- Eu disse aos homens que essa reunião era uma perda de tempo. Só não imaginava que o desperdício seria tão grande. Com vossa licença. – o homem se ergueu da cadeira, mas antes de dar um passo, a voz de Vaella cortou a tensão presente.

- Sente-se, sor Demeron.

- Lady Vaella, com todo o respeito, eu...

- SENTE-SE, SOR DEMERON. – Vaella levantou-se e deixou que a voz preenchesse a sala. O guincho de uma criatura se seguiu ao grito da mulher e, em instantes, a cabeça de Vhagar espiava pela janela da sala. O som do bater de asas do dragão era abafado pelos trovões e pelo ruído forte com que a chuva batia nas pedras.

Sor Demeron se sentou no mesmo instante, mantendo um soslaio na direção do animal que planava com dificuldade.

- Está tudo bem, Vhagar. – Vaella tranquilizou o animal. Em seguida, a cabeça de Vhagar desapareceu de vista. Vaella continuou a falar, apoiando as mãos na mesa.

- Os ferimentos de Jaehaerys mostraram que os golpes foram desferidos com a Irmã Negra de Viserys. Meu marido estava de costas para o assassino, quando a lâmina perfurou suas costas. Eu segurei a cabeça dele e vi uma expressão de puro choque, como se nunca esperasse os golpes. O melhor Rei que Westeros viu foi assassinado brutalmente por alguém da própria família. Como acham que me sinto diante do fato de meu irmão e meu próprio filho terem planejado a morte de Jaehaerys? Realmente acreditam que sou influenciável ao ponto de apoiar Maegelle sem provas contundentes? Que interesse eu poderia ter no reinado de qualquer um dos meus dois filhos? De um jeito ou de outro, continuo sendo a mãe de quem senta no trono e continuo viúva.

Sor Lestan Heynes quebrou o silêncio que se seguiu às palavras de Vaella.

- Desde já, suplico-lhe por vosso perdão, Rainha Mãe. No entanto, precisam entender nosso lado. Essas acusações são gravíssimas e nos colocam contra um de nossos homens mais valorosos e ao Rei de Westeros. Sor Viserys praticamente cresceu em meio aos nossos homens e sempre supriu quaisquer que fossem nossas necessidades. Colocar nosso exército na direção deles é algo extremamente difícil para nós. Lutaremos contra um amigo de longa data.

- Ousa falar do que Viserys lhes proporcionou, sor? Esqueceu-se das ervas medicinais que Jaehaerys e eu trouxemos da cidadela para a doença de sua filha? E quanto ao senhor, sor Holliston? Não arranjamos seu casamento com Jacelyn Sand depois de ter se apaixonado por ela em um dos torneios de Ponta Tempestade? Sor Astor Demeros, por um acaso não se lembra do lugar em que o encontrei pela primeira  vez? Deixe-me lembra-lo, sor. Eu viajava com Jaehaerys, antes mesmo de ele ser coroado rei de Westeros, quando o encontrei embriagado como um mendigo qualquer em um beco sujo de Volantis. Por um acaso não me compadeci diante de sua situação, pedindo a meu avô que lhe desse um lugar em seu reino? Não chorei junto ao senhor, quando me contou a terrível tragédia que lhe tomou os pais e os irmãos? Sor Fenerok, não mobilizamos mais de dois mil homens para salvar-lhe da emboscada de Sor Duncan Marbrand em Cinzamarca?

Os comandantes se entreolharam, envergonhados, e permaneceram em silêncio, permitindo que Vaella concluísse o raciocínio.

- Vejam, sei que a situação é delicada e que os senhores têm receio de trair Valerion e Sor Viserys. No entanto, o que estou pedindo é que confiem em meu julgamento. Não quero lhes obrigar a fazer qualquer coisa que não estejam dispostos. Estou aqui para pedir de volta a mão que sempre vos estendi em seus tempos de dificuldade. Os senhores conhecem minha integridade o suficiente para saber que nunca acusaria minha própria família de fratricídio e patricídio.

- Se o que nos dizem é verdade, Lady Vaella, então por que o motivo os deuses favoreceriam Valerion no combate que lhe concedeu a coroa? – Sor Jacen Holliston remexeu na cadeira, inquieto. O seu olhar denunciava a dúvida que se impregnava nos pensamentos.

- E não tem os deuses seus próprios motivos para favorecer esse ou aquele homem? – Maegelle recobrou a firmeza para continuar a reunião. – Julga que os Sete agem sempre concomitantemente? E o que garante que todo esse desenrolar não seja uma vontade dos deuses?

Sor Lestan Heynes tamborilou sobre a mesa por alguns segundos.

- Como pretende destronar Valerion, Princesa Maegelle? Planeja ataca-lo com nosso exército? É verdade que nossos soldados são extremamente habilidosos, mas supostamente estaremos marchando contra pelo menos 15.000 homens a favor do rei.

- Não partiremos para Porto Real, sor Heynes. O nosso primeiro passo é fortalecer uma aliança com aqueles que nunca se curvaram perante o reino e que nunca fomos capazes de subjulgar.

- Dorne? – sor Coen Bragford questionou, tentando esconder a surpresa.

- Dorne. – confirmou Maegelle. – Pretendo me reunir com a princesa Diane Martell e Bailey Baratheon em Lançassolar, assim teremos forças para tomar Porto Real. Meistre Jhocarys, quero que escreva uma carta solicitando uma audiência pacífica com Diane e seus comandantes. Também quero que envie uma carta a Lorde Bailey Baratheon e peça-lhe para se encontrar conosco nessa mesma audiência.

- Marchar de Dorne para Porto Real? O que faremos quanto a Jardim de Cima? Lorde Thalion Tyrell provavelmente não fará aliança com os dorneses e, levando em consideração a amizade que ele tem com os Lannister, provavelmente topará com um muro de homens em seu caminho. – sor Bragford rebateu.

- Parece que não cansam de me subestimar, senhores. Na hora certa, apenas uma parcela de nosso possível exército aliado marchará para Porto Real. O resto irá ser transportado pelo mar sob a escolta de Vhagar e Galantis, e pelas Terras da Tempestade, onde se encontra meu maior aliado Lorde Baratheon.

Sor Astor Demeron coçou o cavanhaque ralo antes de desembainhar a própria espada e deitá-la sobre a mesa.

- Tem o meu apoio, Princesa Maegelle, confio na palavra de sua mãe. – embora falasse com a princesa, era para Vaella que o comandante olhava.

- O meu também. – sor Bragford pousou a espada ao lado da de sor Demeron.
- O meu também. – sor Heynes.
- O meu também – sor Holliston.
- O meu também. – sor Fenerok.

- Não quero apenas o apoio de vocês. – Maegelle caminhou pela sala. – Quero saber se darão a vida por nossa causa, se necessário, senhores. Faremos justiça!

- Sim. – os homens responderam em uníssono.

- Meistre Jhocarys, procure os criados e peça-lhes para trazer um barril de cerveja. Brindaremos aos senhores comandantes e à nossa aliança hoje. – Maegelle ordenou, em tom animado.

Os homens começaram uma grande conversa generalizada.

Maegelle recebeu a algazarra com uma satisfação nunca antes sentida. Ela sabia que o alarde era por sua mãe, Vaella. Mas isso não mudava os fatos. Começara o dia com nenhum homem e, antes do meio-dia, contava com 7 mil.


- Obrigada. – disse à mãe discretamente ao se colocar ao seu lado. Vaella tocou gentilmente o rosto da filha e saiu, antes que as lágrimas em seus olhos escorressem.

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