Tempos de Calmaria

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Tempos de Calmaria

Mensagem por Nymera Martell em 14.10.17 17:59

Já havia se passado uma semana depois da tempestade, a limpeza da areia pela cidade foi feia com sucesso, mas soube que 50% da sua produtividade foi perdida, o que entristeceu muito Nymera, e ainda que perdeu 51 homens, todos foram enterrados e suas famílias foram visitadas, aqueles que possuíam família é claro.

- Já sabe o que vai fazer com a cata do rei? - sua mãe lhe perguntou enquanto estavam no jardim que seu pai tinha feito pra ela, um dos.

- Nós não reconhecemos nenhum rei, apenas Príncipes e Princesas de Dorne, eles mais do que ninguém deveriam saber disso - pensava na carta que receberá no quarto dia, enquanto estava na sala vendo questões dos mantimentos que ainda haviam sobrado, já que uma parte foi para os Yronwoods - Vamos esperar até eles tentarem nos invadir de novo, parece que é a única coisa que eles sabem fazer - chupava um limão, gostava do sumo azedo.

- E a irmã dele? Ela possivelmente vai vir em busca de ajuda, depois do que me contou sobre o Conselho...

- Não pretendo tomar nenhum partido nessa maldita guerra, não fazemos parte dos 7 que na verdade são 6 Reinos, eles não, nos conquistaram, apenas vieram com suas bestas aladas achando que somos como os outros Lordes - pegou na saia um romã, o abriu e começou a comer a carne da semente e cuspir os caroços - Por que deveria me meter nessa guerra? O que os outros Lordes fizeram por nós? Nada, o que os Targaryens fizeram conosco? Nos subjugaram e tentaram nos aniquilar, quero mais que eles se queimem com seu fogo de dragão.

Na manhã seguinte um corvo chegou de Pedra do Dragão, o Meistre Dave havia chegado as pressas na pequena sala com a carta em mãos, lá estavam Nymera e Aarthor conversando sobre algumas estratégias, assim que leu a carta pediu para chamar sua mãe.

- Aqui, isso foi obra sua - disse lhe entregando a carta.

- Como obra minha? - perguntou a mulher com um olhar confuso, assim que leu a carta seu olhar mudou - Então ela quer uma aliança conosco?

- Foi só a senhora falar contem - a princesa não disfarçava sua cara de insatisfação - Agora só falta você falar pra eu arranjar um marido igual quando tinha 15 anos - quando sua mãe ameaçou abrir a boca ela já lhe lançou um olhar ameaçador - Nem se atreva Senhora Mhrian Martell!

- Apenas ia dizer que você precisa ser rápida, pois logo a Princesa Maegelle pode estar em nossos portões pedindo abrigo e uma aliança, se for ajuda-la podem interpretar que você está do lado dela, caso não for é melhor mandar uma mensagem o mais rápido possível, e se ela mandou alguma mensagem para seus aliados falando que planejava vir para cá? Precisa se decidir.

- Mande uma mensagem para a Princesa Magelle diga que... - seu coração apertou de repente, se lembrou do Conselho, de sua expressão de descontentamento na batalha, observava suas micro expressões, ela parecia convencida de que seria Rainha, mas deve ter se esquecido de que as leis de Westeros giram em torno dos homens e não das mulheres, ao contrário de Dorne, que elegemos os herdeiros independente do sexo - Diga que não vamos tomar partido nessa guerra, nós... - as palavras lhe escapavam da mente, se sentia uma covarde, mas ao mesmo tempo parecia que conseguia ver o sangue do seu povo caso aceita-se se aliar a ela, Ai pai... O que o senhor faria, mordia o lábio inferior pensando no que fazer - Apenas diga que não estou com vontade de me meter no assunto deles, essa guerra não é nossa como ela disse, não tomaremos partido - finalizou olhando para o mapa.

- Sim, minha senhora - o meistre fez uma breve reverência e saiu junto com o Aarthor.

- Você quer mesmo fazer isso? - sua mãe lhe perguntou lhe olhando de lado.

- Não sei do que a senhora está falando - disse sem tirar os olhos do mapa.

- Tudo bem, só te digo uma coisa, não há vergonha em proteger o seu povo, ou desonra em lutar pelo que acha certo, independente do que seja - Nymera olhou nos olhos de sua mãe, aqueles olhos violetas lhe diziam tudo - O meistre não disse, mas isso chegou também - lhe entregou uma carta com a cera verde, quando olhou de perto viu que o emblema era dos Tyrells, e claro, o lacre estava rompido - Ele te convida para um torneio para comemorar o triunfo que tiveram em espantar um dragão das suas terras.

- Um dragão? Na Campina? Foi um ataque? - lia a carta lentamente, e levantou uma das sobrancelhas - Se papai estivesse vivo falaria ``Eu prefiro que a gota me leve a pisar naqueles campos cheios de rosas cheirosas e espinhetas..., creio que os outros grandes lordes também estarão lá.

- Você vai? - sua mãe perguntou enquanto se servia um pouco de vinho.

- Pra que? Pra ver um bando de homens olharem com o nariz torto pra minha cara? Não obrigado - largou os papéis e se serviu com o vinho também.

- Seria uma oportunidade de fazer novos amigos - depois que Lady Mhrian disse as duas caíram na gargalhada - Tá, isso foi engraçado, mas quem sabe você não conquiste um lorde, se realmente houver uma guerra você precisa deixar um herdeiro pra caso aconteça o pior..

- Mãe, se eu me casar eu perco o meu nome, perco Dorne, tudo o que tenho direito, e também, eu acho que nenhum daqueles lordes pomposos iriam me aguentar por muito tempo - disse com um sorrisinho.

- Então apenas busque um bom o suficiente para lhe dar um filho, pode ser bastardo, mas ainda será seu filho, é só legalizá-lo depois e estará tudo bem.

- Se for pra trepar eu nem preciso sair de Dorne -Ou do castelo - Tem os Yronwoods, os Ullers, os Allyrions...

- O Mordred Dayne... - sua mãe falou tão baixinho que se não presta-se a atenção deixaria escapar, quando ela viu o olhar de espantado de Nymera começou a rir - Ah Nym admita, Mordred ainda é jovem, e como todo dornês ele é fértil e viril, lembra quando vocês corriam juntos em Jardins de Água? As vezes os dois corriam pelados em meio as águas e... - a mãe parou se súbito quando a filha emitiu um barulho que parecia uma mistura de gemido de dor com um fino gritinho de agonia, aquilo provocou risadas altas - Só estava dizendo que não seria má ideia.

- Se a senhora diz - pegou a garrafa de vinho e se serviu, aproveitou e encheu o copo de sua mãe - Mas eu vejo o Dayne mais como um irmão do que um amante, até ele me vê assim, não é atoa que também se recusou a se casar comigo - deu de ombos e bebeu boa quantidade do copo.

- Irmãos podem ter filhos, olha os Targaryens.

- Ai mãe que nojo.

As duas ficaram lá conversando por muito tempo, havia tempos que Nymera não tinha uma conversa assim, na verdade era a primeira vez que tinha uma conversa de mulher pra mulher com sua mãe, com direito a vinho e tira gostos, pediu para que tudo fosse levado ao seu quarto, onde ela e sua mãe continuariam a conversar, pediu para que conta-se novamente a história do dia que encontrou seu pai, sempre ria da maneira que a mãe contava, mas era sua história favorita, pois sua mãe não se apaixonou de primeira, seu pai dizia que a conquistou com seu charme dornês, sua mãe falava que foi pela maneira como ele a tratava, como mulher, e demonstrava uma devoção que não achou que receberia, ele, por sua vez, mandou construir o Jardins de Águas, para que Lady Mhrian não fica-se o tempo todo em Lançassolar, e também para funcionar como refúgio de ambos, suspeitava que vou ali que seus pais a fizeram, mas amava o lugar, a demonstração de sua mãe foi ficar ao seu lado mesmo quando a doença o consumiu, ainda em sua voz, mesmo carregada pelo luto, ainda via a paixão que ela ainda sentia por ele, quando criança sonhava em receber esse amor e devoção, um desejo que ainda estava aceso como uma chama, mesmo ferido pelo passado.


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Re: Tempos de Calmaria

Mensagem por Nymera Martell em 16.10.17 4:00

Seu corpo estava pesado, quando abriu os olhos via o quarto todo rodar, respirou fundo e tentou se levantar, mas deitou logo em seguida, moveu a perna e sentiu um corpo ao seu lado, quando abriu os olhos viu que era sua mãe, dormia profundamente, se lembrou do que havia acontecido na noite passada devagar, foram várias garrafas de vinho, petiscos, risos, histórias, tudo compartilhado com sua mãe, não há via sorrir assim já fazia algum tempo, estava de luto pelo seu pai, mas agora parece mais relaxada. Uma serva adentrou no quarto, era a que vinha lhe acordar todas as manhãs.

- Senhoras, o café foi posto na mesa - não obteve respostas das duas, Lady Mhrian ainda dormia profundamente e Nymera não queria responder - Minhas senhoras - ela tentou acordar sua mãe, mas ela se limitou a gemer e se virar para o lado.

- Traga o nosso café aqui, um bem reforçado, e traga leite com canela, mas não vinho - disse a princesa se levantando um pouco, a serva assentiu e saiu.

- Ainda bem que você falou por que estava prestes a pegar uma adaga e enfiar nela - Mhrian falou com a voz sonolenta em seguida se espreguiçar quando se levantou estava com os cabelos todos desgrenhados, o rosto marcado pelo sono - Nem ouse rir por que você também está com uma cara péssima.

- Não me atreveria amada mãe - segurava o riso, mas não conseguiu.

Depois de um tempo a comida foi trazida pelos servos, ovos mexidos com linguiça, um pouco de carne de carneiro com ervas, também havia leite com canela, nozes picados, entre outros, ambas comeram bem, alguns minutos depois veio o meistre lhes contar sobre a comemoração na cidade por termos sobrevivido a tempestade, as reconstruções dos barracas e casas que foram assoladas pela tempestade foram um sucesso e o povo cantava em comemoração a sua princesa.

- Nymera, A Domadora de Tempestades - sua mãe disse enquanto bebia um pouco de vinho que pediu pra trazer.

- Apenas mandei recolherem a comida e se esconder - partia um pão fresco e quente - Não domei nada...

- Mas o povo a está chamando assim Nymera, o povo está começando a ver quem você é, viram seu esforço e estão te agradecendo, lembre-se: O povo é a chave de todo o reino, não importa qual.


A noite todos foram para a praça da cidade, havia barracas com comidas e bebidas, também tecidos e jóias, tudo estava iluminado e tinha música e gente dançando, havia um grupo de músicos tocando várias músicas, uma chamou sua atenção em especial, não parecia uma música tocada em Westeros, parecia vinda de Lys, tomou a frente com passos ligeiros, tinham mais 4 mulheres do grupo que dançavam a música que contagiava a todos aos poucos.

Música::

Se sentia leve, rodopiava em pequenos círculos, seus cabelos soltos dava uma visão diferente ao seu rosto, sempre diziam isso, seu vestido de seda amarelo tinha aberturas nas saias, possibilitando maior movimento, gostava de vestidos assim, seus braços subiam e desciam lentamente como se fosse um pequeno pássaro, seu quadril se movimentava ao compasso das batidas, então acelerou sus movimentos, mexendo pernas, tórax, tudo em uma sincronia única, tudo por um momento pareceu girar em torno daquela música, do fogo e das pessoas, tudo uma coisa única.

Música 2::

Com a outra música entrou mais mulheres, algumas eram prostitutas que foram para atrair clientes, Arsh e Dart estavam cochichando e olhando para uma em particular, uma morena com cabelos negros, usando uma calça folgada, com um topo cobrindo os seios medianos e com um véu no rosto, um véu de seda que mostrava o que tinha por baixo, seu quadril era deveras chamativo, não demorou para que Dart o gêmeo mais tímido fosse até ela, esticou a mão para dançar com ela e claro que, como as moças passam pelo caminho dele ou o irmão caem nos olhos que parecem atiçar as mais puras almas.

- Isso me faz lembrar de Qarths - comentou Arsh quando veio ao seu encontro, lhe puxou pela cintura e a segurou quando jogou as costas pra trás - Só sem aquele gente pálida - comentou quando lhe puxou de volta.

Arsh sempre foi seu parceiro de dança quando tinham distrair um certo senhor mercantil para pegar algo importante dele, muitas vezes o mesmo tentou ser seu parceiro de cama, não durou muito pois Nymera logo viu sua fome por mulheres de porto, no início Sarch fora interessada nele, a capitã logo avisou sobre seu jeito de ser e de sempre andar pelos bordéis do cais, até hoje Nymera suspeitava que menina ainda possuía alguma afeição pelo rapaz.


Na manhã seguinte não acordou com tanta dor de cabeça, mas o estômago ainda estava um pouco virado, ao chegar a mesa do café da manhã encontrou sua mãe com a cabeça apoiada na mão e com os olhos fechados.

- Me lembre de nunca mais beber por 2 dias seguidos - Lady Mhrian comentou sem abrir os olhos.

- Que engraçado, eu ia pedir a mesma coisa amada mãe - disse ao se sentar na cama - Não tenho estômago para comer certas coisas.

- Estas grávida? Para estar com enjoou matinal...

- Eu culpo o álcool minha cara mãe, o álcool apenas, não comece a se animar, não tem um pequeno ser dentro de mim - Graça aos deuses ou a Mãe Roine, mas principalmente ao chá de lua que tomei na ultima vez que fiz sexo, pediu leite puro com especiarias e um pouco de carne com ervas.

- Já se decidiu sobre o Torneio da Campina? - meistre Dave apareceu com um líquido e o entregou para sua mãe, suspeitou que fosse para a dor de cabeça dela - Acho que deveria ir, lá pode fazer novas alianças.

- Aposto que nenhum lorde vai querer nem chegar perto de mim quanto mais querer formar uma aliança com a gente, é mais fácil eu virar septã do que isso acontecer - bebia um pouco do leite e comia a carne com ervas, sentiu um pequeno toque de pimenta, o que a agradou - Tem certeza de que não tenho nenhum irmão ou irmã mais nova? Se for bastarda é só legitimar e podemos usa-lá como troca de alianças.

Viu sua mãe respirar profundamente e fechar os olhos, tinha falado brincando, mas agora temia que realmente aquele assunto fosse a se tornar verdadeiro.

- Não, você é única, minha e do seu pai...

- Então vou ter que ter um bom jogo de cintura pra fazer alianças lá... - mordia seu lábio inferior enquanto roçava o dedo indicador abaixo do lábio - Mandem preparar uma caravana, vamos para Jardim de Cima.

- Vou pedir para Aarthor se aprontar... - sua mãe ameaçava se levantar.

- Você também vai - falou Nymera a fazendo parar - A quero do meu lado lá comigo, então sugiro que separe suas melhores roupas.

- Não sei se isso vai ser uma boa ideia, é melhor eu ficar para gerenciar as coisas e..

- Tolice mamãe, não ficarei sozinha no meio daquelas ervas daninhas, vamos, você mais do que ninguém é a pessoa que eu mais quero que esteja no meu lado naquele lugar, pois diferente de mim a senhora consegue ficar com a cara limpa mesmo sentindo o cheiro de merda.

- Você consegue quando quer, só lembrar da vez que o Lord Yronwood veio com seu herdeiro para propor um casamento, mesmo você não querendo se portou educadamente.

- É, e no final eu disse que se ele tenta-se passar a mão em mim de novo eu a amputaria fora - bebeu o resto do leite e colocou o copo na mesa - O garoto era nojento, idiota e ainda era feio, não me casaria com ele nem se estivesse acorrentada e amordaçada.

- Dizem que ele se tornou um homem bonito, cheio que amantes por onde passa.

- Só se forem cegas, interesseiras, prostitutas ou as cabras dos rebanhos.

- Enfim - Lady Mhrian fechou os olhos buscando manter a calma e não aumentar a voz - Consegue se virar se mim, mas já que faz tanta questão pedirei para arrumarem as minhas coisas.

- Perfeito - se levantou e retornou ao quarto, queria sua mãe consigo pois temia uma armadilha se a deixa-se ali, caso a princesa dragão realmente viesse poderiam verdadeiramente dizer que ninguém da família Martell estava no castelo, mas também queria dar um descanso para ela daquilo tudo.


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