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 "Há Morte Sobre Seu Vinho."

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Medgar Tully
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MensagemAssunto: "Há Morte Sobre Seu Vinho."   23.06.16 2:10

MEDGAR TULLY







O sol se punha em meio a melancolia do crepúsculo que abraçava as terras fluviais. Em baixo do céu seus eternos reféns preso ao mundo sem mesmo entender sua real existência. Existência, o que é? Estar vivo? Preso ao chão, preso em uma linhagem e dividido por classes e títulos. Devemos nos perguntar se a terra é nossa masmorra e o céu nossas grades, seria somente os pássaros dignos de estarem próximos aos novos e velhos deuses?
Realmente não reconheço nenhuma verdade, sou apenas um velho homem na fronteira do surrealismo, a medida que o céu escurece tenho cada vez mais certeza que não estamos sozinhos. Talvez os deuses sejam caolhos? O sol seja seu olho para vigiar nossa eterna ignorância e achismos infinitos. A noite, um outro deus nos vigia e deleita-se de nossas insignificante vidas. Talvez os deuses estejam em tudo, talvez em nada. Tem dias que eu os adoro, outros eu os abomino. Talvez eu esteja apenas velho, realmente, o tempo e as perdas nos dão incertezas. Devo continuar apenas a fitar o céu tornando-se breu pela minha janela? Por quê? Por que o dia de hoje está tão melancólico como meu velho coração ranzinza?


Os devaneios se dissipam com uma brusca batida na porta seguida da voz do jovem meistre, uma voz preocupada e sem chão. Mais uma vítima dos deuses? Que destino cruel.

- Entre. - Diz cansado de tanto refletir sobre merdas. A porta range e desesperado entra um jovem, não mais de vinte e oito anos, um jovem que de todos os caminhos escolheu servir a cidadela, trocou tudo por conhecimento. - Onde está o velho meistre? - Completou lorde Medgar virando-se para encarar o jovem. - M'lorde. Peço seu imenso perdão por atrapalhar teu descanso. O velho meistre está em seu canto, como de costume M'lorde. - A voz do menino estava trêmula, não era comum vindo deste jovem enérgico e o mais otimista que já tive o prazer de conhecer em minha vida. Lembro-me de quando ele chegou a correrrio, era um jovem de bom nascimento. Seu pai queria que eu treina-se e fosse nosso protegido, ele tinha fé no menino que mal cabia dentro de suas próprias roupas. O menino não tinha nenhum talento a não ser se perder na sala do interminável meistre e devorar todos os livros. Após um encontro com o pai do jovem, mandamos o jovem para cidadela. Ele voltou, é muito promissor e um bom nome para substituir o velho (Embora ele odeie esse apelido) quando ele se for. - M'lorde...- Continuou o jovem, - ... Uma carta de Porto Real, o velho meistre quer vê-lo imediatamente, já adianto meu senhor: As notícias não são boas. - Seguido de um breve sorriso a resposta veio em bom humor. - Você vem aos meus aposentos trazer péssimas notícias? Estou ficando velho e sem respeito mesmo. - Completando com uma risada bem-humorada. Medgar se aproximou do jovem e pousou sua mão nos ombros franzinos do menino. - Vamos ver o que aquele velho gagá quer. -

A caminhada parecia nunca ter fim, os corredores do castelo estavam mais compridos e estreitos, talvez fosse impressão. Os pensamentos novamente ocupavam a vazia cabeça, a curiosidade as debatia e ambas se degladiram por instantes que mais pareciam horas. A porta do meistre estava entreaberta, a grossa porta de madeira finalmente aberta!

- Oh... M'lorde, finalmente, por favor... - a tosse o interrompia por diversas vezes, sua saúde já não era mais a mesma. Quando eu era jovem este homem já era velho. Agora eu estou velho e ele continua como sempre esteve, talvez a convivência e o apego por este homem me faça negar enxergar seu envelhecimento. Talvez o interminável esteja chegando ao fim. A sala do meistre sempre foi de minha imensurável curiosidade e sempre fora do mesmo jeito desde que me reconheço por gente. Livros aos montes amontoados no chão, nas mesas, nos sofás e em tudo que os olhos podem alcançar, a parede do cômodo não era visível, apenas os milhares de livros. A pequena janela triangular da torre era a única fonte de luz que contrastava com a chama das velas que ficavam na mesa velha de madeira a qual erguia os pergaminhos, penas e o livro que estava sendo lido, ás vezes, quem sabe, um corvo. O velho nunca gostou de prender nenhuma ave em gaiolas. Sentia-me novamente um moleque naquele instante.

- Saia filho - Dizia o meistre sem rodeios encarando o jovem meistre quando foi interrompido pelo mesmo. - Mas, arquimeistre, eu dev... -, o jovem foi interrompido quando a calma voz de Medgar cortou as suas palavras como a folha corta o vento em sua delicada queda. - Peço para que se retire. Respeite o seu tutor e acima de tudo os mais velhos, se a ordem foi dada apenas respeite-a. Quebre-a somente com aquela exceção. -. O jovem acenou com a cabeça e se retirou da sala. - Prossiga velhote, o que tem para me dizer de tão urgente? - O meistre se ajeitou em sua cadeira e como era típico de sua personalidade, ajeitou sua barba e coçou a maçã flácida de seu desgastado rosto. - Bem Medgar, sabe que não precisamos de todas formalidades e rodeios... - a tosse novamente interrompeu seu discurso que logo foi retomado - ...Chegou hoje mais cedo esta carta de Porto Real, de Vaella. Eu não a entreguei mais cedo para saber a veracidade de seu conteúdo mas... - novamente a tosse interrompia e aumentava a curiosidade de Medgar. - ... me perdoe Medgar, estou ruim da tosse a tempos. Bem, como ia dizendo, houve um regicídio. Jaeherys jaz morto assim como a mão do próprio rei. -

Um silêncio ensurdecedor tomou o ambiente por alguns poucos segundos. A voz calma agora era trovosa, em um movimento súbito Medgar se levantou e começou caminhar e volta da cadeira que estava sentado. - Como assim o rei morreu? Quem foi? -, - Não sabemos. Sinto muito não ter essa resposta. - o meistre apenas olhava o chão cabisbaixo. - Isso é um infortúnio! O reino estava bem, a paz... Pelos malditos deuses, aos velhos e aos novos... Bem meistre, peça para o garoto te auxiliar. Mande nossas condolências a Porto Real, mande a mesma mensagem recebida para todas as casas vassalas e peça para se prepararem que tempos difíceis podem eventualmente surgirem. - Medgar parou por um instante, roçou seu queixo com os dedos enquanto pensava e completou: - ... escreverei algo para os lordes das casas maiores, replique o conteúdo e envie, sim? Também escreverei uma para aquele jovem prodígio que treinei, Keiren da casa Osgrey. -

Sem esperar a resposta do meistre Medgar se retirou. Ele precisava respirar e pensar. Medgar conhecia bem Jaeherys, eles se davam bem e compartilhavam dos mesmos ideais de paz longa e próspera. Nas justas se encontravam para beber e comer costela de javali, jogavam várias conversas fora e cogitavam sobre o que havia a oeste de Westeros. Monstros marinhos, um vasto e interminável oceano, terras vastas, prósperas com outros reinos, casas e culturas... era apenas algumas das coisas que cogitavam sobre aquelas terras.

O tempo passou depressa enquanto escrevia para os grandes lordes, era sabido que aquele horário, aquela altura, era possível encontrar o meistre tomando um ar nas muralhas de correrrio, quantas vezes já fizemos isso? De filosofar olhando o negro horizonte na madrugada? A cabeça funcionava a mil e os detalhes do redor passavam batidos. A muralha e seus firmes muros estavam parecendo mais com os vastos corredores do castelo do que qualquer outra coisa, infindável!

- Há morte sobre seu vinho meistre, mas para mim esta sendo difícil encontrar palavras para fazer qualquer coisa. Espero que estas cartas sejam enviadas ainda amanhã antes de anoitecer. Como já dizem os Starks "O inverno está chegando." - entregou a carta ao meistre e ficou a contemplar aquele céu sem estrelas por alguns instantes antes de ir dormir.
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"Eu só queria saber,
O quanto sofre sua alma?
Os anos se passam,
Todos abraçam sua memória."
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Medgar Tully
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MensagemAssunto: Re: "Há Morte Sobre Seu Vinho."   24.06.16 21:45

MEDGAR TULLY



"Já esta de manhã?", perguntei para mim mesmo ainda deitado na cama. Devo me apressar, os corvos estão agitados por todo o sete reinos nos últimos dias. Minha própria mão ao passar por meu rosto me mostrava que eu estava acordado, tudo era real!

Após me arrumar, caminhei pelos corredores do castelo, sua pedra clara agora era visível e de muito orgulho me enchia os estandartes azul e vermelho com a truta. Me coloquei a caminhar até o cômodo do velho meistre; no caminho cumprimentei os funcionários, meus filhos e quem encontra-se no caminho. Era costume faze-los sentirem respeitados como humanos e como funcionários. Como eu dizia para meus filhos: "O respeito é um círculo infinito e mútuo."

- Meistre, alguma novidade? - O meistre estava sentado lendo, quando me olhou, imediatamente fez um rosto preocupado. - M'lorde, chegou mais uma carta de Porto Real. Agora a pouco, devo reiterar. - As palavras do meistre me instigaram a perguntar para mim "Por que outra carta?", era estranho uma reunião em Porto Real, se não um torneio em homenagem ao falecido rei e seguido de seu velório. Além do mais, ninguém ainda assumiu? Seu filho já deveria ter dado notícias sobre o trono, qual era mesmo o nome do menino? Não me atrevo a lembrar agora. - Meistre, esse convite... - parei por alguns centésimos de segundo, exitei por um momento. - ... o convite me estranha. O filho do rei já não devia ter assumido? Essa chamada repentina para comparecer a capital também não me agrada. Tem algo faltando meistre? - olhei firme para o meistre, algo me estranhava e com certeza não me entusiasma essa viagem para Porto Real. Esperava mandar um representante, mas essa ideia de todos os lordes irem pessoalmente me soa estranho. - Não M'lorde, também acho estranho. Não é do feito dos Targaryen e nem notícias ou sussurros sobre essa demora para acharem o sucessor de vossa majestade. Se posso te aconselhar Medgar, eu não iria. - Muito eu concordava com o meistre. Estava decidido a não comparecer a este encontro e tampouco chegaria em três dias. Estou relativamente próximo de Porto Real, mas ainda assim, três dias de viagem não da nem um terço do caminho. Estão loucos. - Meistre, escreva a capital, diga que é impossível chegar em três dias. Reitere que enviamos nosso grande respeito pela perda de Jaeherys e que esperamos ansiosos o seu filho assumir o trono, mas que devido a alguns problemas nas Terras Fluviais, sera impossível comparecer. Isso é tudo meistre! - Muito me preocupava o que essa ausência acarretaria, mas sei que estou fazendo a escolha certa.

Caminhei um pouco pelas terras, não muito longe, era um lugar tradicional para os nossos funerais. Os peixes entrelaçados, a bandeira flamulando e o rio calmo muito me lembravam meu já falecido pai e esposa. "Então pai, tomei minha decisão. Espero que diante aos novos e velhos deuses tenha sido correta. Espero também, que entre os homens possa ser bem vista. Muito me faz sua falta e seus sábios conselhos. Essa noite, peço para que me derrame todo seu conhecimento e ilumine minha mente." Não era muito de orar, mas aquela ocasião, orei.

Voltei para o castelo, conversei com o comandante do exército. A regra era clara: Prepare todos os homens aptos a lutar!

O comandante me olhou espantado, eu conhecia aquele olhar. "A paz molda homens fracos e despreparados." era o que dizia o senhor meu pai. - Sim, m'lorde! -, tomei o olhar para o homem e completei - Capitão, a paz molda homens fracos e despreparados. Temo pela nossa segurança ao recusar marchar para Porto Real. Devemos estar preparados. Pode ser que não aconteça nada, como pode ser que aconteça tudo. Prepare-se, sim? - Coloquei as mãos no ombro do capitão e ao passar pelo seu lado disse o quanto confiava nele. Já caminhando o comandante disse algo que parei imediatamente. - Temos uma mensagem do Vale senhor. Chegou a pouco. Eles pedem permissão para passarem por nossa terra no caminho a Porto Real. -. Virei-me para o comandante. - Senhor, o lorde Arryn tem permissão para atravessar as Terras Fluviais. Apenas se assegure que não teremos problemas. - Continuei meu trajeto adentrando o castelo.


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MensagemAssunto: Re: "Há Morte Sobre Seu Vinho."   30.06.16 0:09

Medgar Tully

Mais um dia no correrrio, aparentemente a travessia Arryn tinha sido um sucesso. Eu não estava afim de nenhuma batalha e tampouco que uma guerra eclodisse. Embora acredite ter coisas que possam ser vantajosas e os tempos estão estranhos, uma guerra e mortes jamais serão um caminho viável.

O meistre veio a passos largos e rápidos e se colocou cansado a minha frente. Já estava velho mas para ele esbanjar essa disposição, algo sério poderia estar acontecendo. - Senhor, chegou uma carta dos Lannisters. Eles já estão no nosso território!- Olhei para o meistre, estava calmo. Não havia motivos para ataque. Se quisessem atacar com certeza não enviariam cartas. - E o conteúdo da carta? - O meistre voltou a respirar um pouco e entre uma tosse e outra voltou a falar. - Bem Medgar, dizem querer negociar... - Interrompi o velho e virei de costas - Certo. Responda para o sor que ele poderá entrar no correio acompanhado de mais uma pessoa. O resto deverá esperar do lado de fora atrás da trincheiras. - Dirigi-me a sala de guerra onde se encontrava o comandante. A sala era de carvalho com um grande pergaminho com o tridente desenhado. - Senhor comandante, exija para que cavem trincheira a quinhetos metros do fosso e que fechem a ponte. Quero o número máximo de arqueiros nas muralhas. Os Lannisters estão a caminho, trarão soldados com eles. Quero os soldados atrás da trincheira e apenas dois no portão para entrarem sim? Me avise imediatamente quando chegarem, eu irei recebe-los.- Rapidamente me retirei da sala para me preparar.
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